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Janeiro Verde – Mês da prevenção ao câncer do colo de útero: doença tem grandes chances de cura, mas pode afetar capacidade reprodutiva das mulheres

Janeiro Verde – Mês da prevenção ao câncer do colo de útero: doença tem grandes chances de cura, mas pode afetar capacidade reprodutiva das mulheres
10 de janeiro de 2019 Dra. Lilian Serio

Doença associada principalmente à infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), o câncer de colo de útero é o terceiro tipo de câncer mais comum entre as mulheres no Brasil e a quarta principal causa de morte no país. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), no último ano, as estimativas indicavam a ocorrência de mais de 16.370 novos casos. Para conscientizar a população sobre a prevenção da doença, a Sociedade Brasileira de Cancerologia promove em todo país a campanha Janeiro Verde, que busca alertar as mulheres para a importância do diagnóstico precoce da doença como forma de aumentar as chances de cura.

Por ser uma doença silenciosa, na maioria das vezes, cerca de 35% dos casos levam à morte. O HPV é responsável pelo desencadeamento de cerca de 90% dos casos de câncer de colo do útero. Segundo o Ministério da Saúde, 75% das brasileiras sexualmente ativas terão contato com o HPV ao longo da vida, sendo aos 25 anos a idade em que ocorre o ápice da transmissão do vírus. Após o contágio, cerca de 5% dessas mulheres irá desenvolver câncer de colo do útero num prazo de dois a dez anos, um índice considerado alarmante para os especialistas, tendo em vista a facilidade da prevenção e detecção precoce da doença. Outro motivo de apreensão para os médicos é o comprometimento da fertilidade feminina com a ocorrência do problema.

Causas e Prevenção

Quando não diagnosticado e tratado corretamente, o HPV provoca lesões no colo do útero, que podem levar ao desenvolvimento do câncer. A infecção pelo HPV ocorre por meio de transmissão sexual. A principal forma de prevenção da doença é a vacinação contra o vírus, oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Recomenda-se que a vacina seja aplicada antes de iniciarem a vida sexual ou, pelo menos, antes dos 25 anos, para aumentar o poder de imunização. Entretanto, ela pode ser tomada em qualquer idade.

Evitar a atividade sexual precoce e a multiplicidade de parceiros, também, são recomendações para evitar o contágio. Existem mais de 150 tipos de HPV. Alguns apresentam maiores riscos para o desenvolvimento de câncer do que outros. O desenvolvimento é lento, na maioria dos casos, por isso, é importante que a mulher, ao iniciar a vida sexual, faça o exame ginecológico preventivo, o exame Papanicolau, anualmente, para detectar possíveis lesões pré-malignas, que podem ser identificadas antes de virarem câncer. A maior adesão ao exame preventivo pode reduzir muito a mortalidade por câncer de colo do útero. Quando diagnosticado nos estágios iniciais, as chances de cura são grandes em quase 100% dos casos.

Sintomas

Normalmente, a doença só apresenta sintomas quando se encontra em estágio mais avançado, por isso a importância da visita regular ao ginecologista e a realização do exame preventivo. Entre os sintomas estão hemorragia vaginal, corrimento ou secreção atípica, dor na região pélvica e dor ou hemorragia após a relação sexual.

Tratamento

O tratamento do câncer de colo uterino varia de acordo com o estágio de desenvolvimento da doença. Quando as mulheres apresentam o diagnóstico de lesões pré-cancerígenas, é feita uma cirurgia para retirada apenas de partes do colo uterino. No entanto, quando as lesões estão estabelecidas, pode ser necessária a realização de cirurgia de retirada total do útero, além de radioterapia e quimioterapia. Esses tratamentos podem ser aplicados isoladamente ou de maneira combinada.

Câncer de colo de útero X Fertilidade Feminina

O câncer no colo do útero pode comprometer a fertilidade, embora isso não aconteça em todas as situações. Isso deve depender de alguns fatores, como a idade (quanto mais nova a mulher, maior a chance de preservação da fertilidade), e o tipo de tratamento eleito para a cura da doençaPorém, quando são necessárias a realização de radioterapia, quimioterapia e determinadas intervenções, como a histerectomia (retirada total do útero), há o impedimento de ter filhos no futuro.

Para as mulheres que desejam ser mães após o tratamento, algumas alternativas podem ser usadas, como o congelamento de óvulos, congelamento de tecido ovariano e até o transplante uterino.

Congelamento de óvulos

Os óvulos são coletados antes do início do tratamento para o câncer.  A mulher recebe medicações para estimular o crescimento e amadurecimento dos óvulos e, quando eles estão maduros, são retirados dos ovários por punção ovariana, com uso de ultrassom e sob anestesia e, em seguida, congelados em nitrogênio líquido. Após o tratamento, eles podem ser descongelados e fecundados por fertilização in vitro (FIV). Em seguida, os embriões formados são transferidos para o útero. Se o útero tiver sido removido, os embriões podem ser transferidos para um útero de substituição (barriga de aluguel).

Congelamento de tecido ovariano

O método consiste em retirar parte do ovário por meio de uma videolaparoscopia. Em seguida, o tecido é congelado em fragmentos em nitrogênio líquido. O ovário pode permanecer congelado por tempo indeterminado. A técnica permite que, após o término do tratamento, a paciente possa reimplantar o tecido ovariano. Em seguida, é necessária uma estimulação ovariana para que haja crescimento dos folículos e posterior coleta dos óvulos que serão fecundados in vitro para formação dos embriões e posterior transferência.

Transplante de útero

É uma técnica recente e realizada em poucos centros médicos no mundo. Surgiu como uma excelente opção para preservação da fertilidade em mulheres com problemas uterinos, dentre elas o câncer de colo do útero, além de outras alterações que possam levar à perda cirúrgica uterina. Após o transplante, também é necessária a realização da FIV, sendo essa a única maneira de engravidar, já que os ovários não estão conectados ao novo órgão.

Sabe-se que a gravidez após transplante de útero tem mais riscos e mais chances de problemas do que uma gravidez comum, tais como abortamento, trabalho de parto prematuro, pré-eclâmpsia (pressão alta na gravidez), restrição de crescimento intrauterino e baixo peso ao nascer. O risco de rejeição também existe, mesmo quando a paciente alcança a gravidez. De toda forma, o transplante de útero representa a única maneira de proporcionar uma gravidez para mulheres que perderam completamente o útero devido ao câncer.

Traquelectomia Radical

É outra técnica que surge como uma alternativa segura para o tratamento do câncer de colo uterino em mulheres que desejam preservar a fertilidade. A traquelectomia radical (TR) é uma opção para mulheres jovens, diagnosticadas em estágio inicial da doença. Consiste na retirada da parte do colo do útero afetada pelo câncer, preservando o corpo do útero, possibilitando uma gravidez futura.

Diferente da histerectomia radical, que é a retirada total do útero, que impossibilita completamente uma gravidez – a menos que a mulher faça um transplante de útero, um procedimento bem mais complicado –  a TR proporciona até 60% de chances da mulher poder engravidar após o tratamento oncológico. Os resultados podem ser ainda melhores com a ajuda da reprodução assistida.

Além de todos esses pontos, a presença em si do HPV na região genital de homens e mulheres, mesmo sem a presença de lesões pré-malignas ou malignas, pode por si só afetar espermatozoides e óvulos, impedindo ou dificultando uma concepção de forma natural.

Fonte: INCA (Instituto Nacional do Câncer). Janeiro de 2019.

Texto escrito pela Dra. Lilian Serio. Especialista em Medicina Reprodutiva. Sócia-Diretora da Clínica Fertibaby Ceará.

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