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Carnaval acende alerta para prevenção às DSTs; saiba os riscos que o sexo sem proteção pode causar à saúde e à fertilidade

Carnaval acende alerta para prevenção às DSTs; saiba os riscos que o sexo sem proteção pode causar à saúde e à fertilidade
8 de Fevereiro de 2018 Dra. Lilian Serio

Faltando dois dias para o início do Carnaval, governos, Ministério da Saúde e instituições intensificam a campanha de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Nesta época do ano, é comum as pessoas aproveitarem o clima de festa e descontração para praticar relações sexuais casuais com parceiros eventuais, muitas vezes deixando de lado o uso do preservativo. O sexo, seja oral, vaginal ou anal sem proteção, pode ocasionar várias doenças, entre elas a AIDS, o HPV, a Sífilis, a Gonorreia, a Herpes e as Hepatites B e C. O principal foco das campanhas é a prevenção à AIDS, já que segundo o Ministério da Saúde, nos últimos dez anos, os casos da doença em jovens com idade entre 15 a 24 anos, aumentou 85% no Brasil.

Causada pelo vírus HIV, o contágio pela AIDS ocorre mais comumente por meio de contato sexual sem a proteção de preservativos com pessoa contaminada, podendo, também, ser transmitida por transfusão sanguínea e compartilhamento de objetos perfurocortantes.

A AIDS ainda não tem cura e gera uma grande instabilidade no sistema imunológico do portador, deixando-o mais suscetível e vulnerável a doenças consideradas oportunistas, que acometem o organismo quando a imunidade está baixa.

A euforia não deve ser usada como desculpa para descuidar da saúde. Como a nova geração não assistiu à epidemia quando o HIV ainda não tinha tratamento eficaz, há uma falta de percepção sobre a gravidade do HIV, o que faz com que muitos negligenciem a importância do uso do preservativo. A maioria das doenças sexualmente transmissíveis são de difícil tratamento e podem trazer sequelas que muitas pessoas não costumam saber.

DSTs x Fertilidade

Além disso, a AIDS, assim como outras doenças sexualmente transmissíveis, como clamídia, gonorreia, HPV, herpes genital, sífilis e tricomoníase, quando não diagnosticadas e tratadas a tempo, podem evoluir para complicações graves, como a infertilidade permanente, principalmente nas mulheres, embora homens também sejam afetados.

A população mais atingida pelas DSTs é a de jovens em idade fértil. As complicações são imediatas, causando inflamação nos genitais internos do homem e da mulher, que podem provocar a infertilidade de ambos. Apenas uma minoria percebe algum sintoma. As doenças inflamatórias da pelve são as grandes vilãs da fertilidade.

Nas mulheres, elas costumam afetar a trompa uterina, que é o caminho percorrido pelos espermatozoides para chegar ao óvulo, inflamando-a e obstruindo-a, podendo impedir a gravidez ou levar ao desenvolvimento uma gravidez fora do útero, a gravidez ectópica. A principal causa de obstrução tubárea e a formação de hidrossalpinge (acúmulo de líquido nas trompas) é a infecção por bactérias, como: o gonococo (causador da gonorréia) e a chlamydia. Pode haver, também, o nascimento de crianças com malformações. Durante o parto, as DSTs, também, podem atingir o recém-nascido, causando doenças em órgãos como cérebro, olhos, pele e pulmões.

As infecções das DSTs podem ainda, em casos mais graves, gerar abscessos pélvicos (acúmulo de secreção purulenta em um determinado local do corpo). O tratamento pode resultar na retirada do ovário e da tuba atingidos, o que reduz significativamente a reserva ovariana. Assim, mesmo com tratamentos de reprodução assistida, a mulher encontra mais dificuldades de engravidar. Nos homens, os efeitos podem ser a infecção do canal da urina, da próstata, do epidídimo e do testículo, que são os locais onde ocorrem a formação e amadurecimento dos espermatozoides. Quando afetada, a qualidade do sêmen pode ficar permanentemente comprometida.

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente o tratamento específico para as DSTs.

No caso específico do HIV, com o uso de medicamentos antirretrovirais, o que ajuda os portadores a terem uma vida considerada normal. Com a melhora da qualidade e da expectativa de vida, muitos portadores querem formar família. Para isso, teriam de descumprir a principal recomendação dada pelos médicos: usar sempre camisinha. Dessa forma, uma das possibilidades para os casais em que um dos parceiros tem HIV e que há o desejo de gerar um filho, é recorrer à reprodução assistida, reduzindo ou zerando as chances de infecção do cônjuge.

Quando o homem é o portador do vírus HIV, o processo para que não ocorra a contaminação da parceira é simples. O sêmen é recolhido e analisado para ver a taxa viral que o homem carrega. Caso seja muito alta, o tratamento é anulado e o espermatozoide não poderá ser utilizado, mas se o número for baixo, o sêmen passa por um processo de lavagem, no qual o vírus é retirado completamente. Depois, o espermatozoide é inserido direto do útero (inseminação intrauterina) ou inserido diretamente no óvulo (fertilização in vitro), e em seguida, o embrião é implantado no útero materno. Com esse processo, a probabilidade da criança ter o vírus é praticamente zero.

Quando a mãe é soropositiva, o uso da terapia antiretroviral durante a gestação, diminuindo a carga viral, é a principal forma de prevenção da transmissão do vírus HIV para o feto.

Logicamente, a prevenção é a melhor saída e o uso de preservativos está sempre indicado, não só para prevenir as DSTs, mas, também, como prevenção da gravidez indesejada.

Fonte: Ministério da Saúde, 2018.

Texto escrito por Lilian Serio, especialista em Medicina Reprodutiva e Diretora da Clínica Fertibaby Ceará.

 

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